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Com mais de 330 implantes cocleares, Crer consolida atendimento pelo SUS em Goiás

de Antônio Paulino
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O Governo de Goiás, por meio do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), já realizou mais de 330 cirurgias de implante coclear desde 2012. Unidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é a única do estado habilitada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para executar o procedimento, que integra a rede de alta complexidade voltada à reabilitação auditiva. O atendimento é integral e inclui avaliação multiprofissional, cirurgia e acompanhamento durante a reabilitação.

Em 25 de fevereiro, data em que se celebra o Dia Internacional do Implante Coclear, o tema reforça a importância do acesso à tecnologia assistiva para pessoas com deficiência auditiva. Segundo o Relatório Mundial sobre Audição, da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem cerca de 2,2 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva. O documento destaca a oferta de atendimento gratuito por meio do SUS.

Jéssica Lorrane Prego Silva, de 34 anos, paciente da unidade em terapia com a fonoaudióloga do Crer

A trajetória de Jéssica Lorrane Prego Silva, 34 anos, ilustra o impacto do procedimento. Nascida com deficiência auditiva decorrente de rubéola contraída pela mãe durante a gestação, ela utilizou aparelho auditivo desde 1 ano e 9 meses até os 28 anos. Em 2019, realizou implante coclear no lado esquerdo, no Crer. Em 2023, passou pelo procedimento no lado direito.

Atleta de natação, Jéssica integra o Centro de Referência Paralímpico, Núcleo Goiás, vinculado à Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Ainda preciso da reabilitação para melhorar a compreensão, a fala e a escrita, mas me sinto cada dia mais independente”, relata.

A fonoaudióloga Giane Passos Lozi explica que, no caso de Jéssica, o implante ocorreu na fase adulta porque ela já utilizava aparelho auditivo e havia desenvolvido a oralidade. “A reabilitação é essencial para o sucesso do implante. O som mecânico do aparelho auditivo é totalmente diferente do som oferecido pelos eletrodos do implante coclear. É preciso acostumar esse ouvido aos ruídos, aos diferentes sons simultâneos e à fala de forma gradual”, afirma.

Diagnóstico precoce
A médica coordenadora do Departamento de Implante Coclear do Crer, Pauliana Lamounier, destaca a importância do diagnóstico precoce. “O bebê que nasce com perda auditiva e não passa no teste da orelhinha deve ser encaminhado o mais rápido possível a um centro de reabilitação auditiva. Inicialmente, ele é adaptado com aparelho auditivo convencional. Caso o dispositivo não proporcione acesso adequado aos sons da fala, passamos a considerar o implante coclear”, explica.

O implante coclear é uma tecnologia de estimulação direta do nervo auditivo, que é indicado para pessoas que não apresentam benefício com aparelhos auditivos convencionais. Diferentemente da amplificação sonora tradicional, o dispositivo possibilita a percepção de sons em casos de perdas auditivas severas e profundas, ampliando as possibilidades de comunicação e inclusão social.

No Crer, o atendimento inclui diagnóstico, indicação cirúrgica, procedimento e reabilitação. A equipe conta com fonoaudiólogos responsáveis pelo mapeamento do implante, além de apoio psicológico e acompanhamento do serviço social. “Aqui, o paciente é acompanhado desde o diagnóstico. Inicialmente, utiliza o aparelho auditivo por, no mínimo, três meses, para avaliação de benefício. Caso não haja resposta satisfatória, o médico otorrinolaringologista indica o implante. Todo o processo conta com uma equipe multiprofissional”, afirma a supervisora de Reabilitação Auditiva do Crer, Jaqueline Borges.

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