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O dia em que as ruas de Catalão amanhecem cobertas de santinhos

de Antônio Paulino
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Quem circulou pelas ruas de Catalão na manhã deste domingo (4), dia de eleição, encontrou uma cena que infelizmente ainda faz parte do cenário eleitoral brasileiro: santinhos espalhados pelas proximidades de alguns locais de votação.

Durante a madrugada, cabos eleitorais percorrem diferentes pontos da cidade e despejam no chão milhares de materiais de propaganda dos candidatos. O resultado aparece nas primeiras horas da manhã, principalmente nas proximidades das escolas onde estão instaladas as seções eleitorais.

É verdade que essa prática já diminuiu bastante nos últimos anos. Mesmo assim, ainda é possível encontrar ruas e calçadas tomadas por pequenos pedaços de papel com fotografias, números e nomes de candidatos.

A cena chama atenção não apenas pelo aspecto visual, mas também pelo desperdício de material. Depois de cumprir sua finalidade de propaganda, boa parte desses impressos acaba no chão, sendo levada pelo vento, pelas chuvas ou simplesmente recolhida posteriormente pelos serviços de limpeza.

Uma prática que precisa ficar no passado

O chamado “derrame de santinhos” é uma prática antiga das campanhas eleitorais. Durante décadas, espalhar material impresso nas proximidades dos locais de votação foi considerado uma estratégia para tentar conquistar, na última hora, o voto de eleitores.

Mas os tempos mudaram.

Prática antiga ainda persiste nas eleições e transforma os arredores dos locais de votação em verdadeiros tapetes de propaganda

Hoje, candidatos têm à disposição ferramentas digitais capazes de alcançar milhares — e até milhões — de pessoas de maneira rápida, direcionada e, em muitos casos, com custos menores do que as grandes estruturas de distribuição de material impresso.

A propaganda eleitoral também mudou de endereço. As redes sociais, os sites, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas campanhas.

Talvez esteja chegando a hora de os políticos abandonarem definitivamente essa velha tradição de transformar as ruas em depósitos de santinhos justamente no dia em que o eleitor vai às urnas.

Catalão merece uma eleição limpa também do ponto de vista ambiental e urbano.

A democracia pode continuar ocupando as ruas, mas não precisa deixar toneladas de papel espalhadas por elas.

É possível fazer campanha, apresentar propostas, conquistar votos e participar do processo eleitoral sem transformar a cidade em um grande painel de propaganda descartável.

A tendência é que, com a evolução das ferramentas digitais e a mudança dos hábitos dos eleitores, os tradicionais santinhos impressos percam cada vez mais espaço.

E, quem sabe, chegará o dia em que o cidadão poderá sair de casa para votar e encontrar apenas aquilo que realmente importa: uma cidade limpa, organizada e pronta para exercer a democracia.

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