Sete trabalhadores resgatados de uma carvoaria na zona rural de Tapira, no Alto Paranaíba, relataram ter sobrevivido por dias apenas à base de milho verde e, em algumas ocasiões, dormido com fome enquanto eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho. O caso levou o Ministério Público Federal (MPF) a denunciar o fazendeiro e o encarregado pelos crimes de aliciamento de trabalhadores e redução à condição análoga à escravidão.
Segundo a denúncia, os trabalhadores foram recrutados entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 em cidades localizadas a até 955 quilômetros de distância de Tapira, como Sete Lagoas, Bocaiúva e São João do Paraíso, no Norte de Minas.

Alojamento de carvoaria apresentava condições degradantes para dignidade humana em Tapira, segundo MPF — Foto: MPF/Reprodução
Trabalhadores declararam que dormiam com fome
De acordo com os depoimentos colhidos durante a fiscalização, a alimentação fornecida era escassa e nutricionalmente inadequada, geralmente restrita a arroz, feijão, abóbora e ovos. Em diversas ocasiões, os trabalhadores relataram que a quantidade não era suficiente para todos. Muitas vezes eles dormiam com fome.
As refeições, conforme a denúncia, eram feitas no chão ou em locais improvisados, já que não havia refeitório ou espaço adequado para alimentação.
Alojamento precário e água sem tratamento
De acordo com o MPF, os sete trabalhadores estavam alojados em construções improvisadas, com cerca de 50 metros quadrados, paredes sem reboco, telhado sem forro e sem vedação adequada, o que os expunha à poeira, insetos e animais peçonhentos. Os colchões estavam rasgados e deteriorados, e não havia armários ou mobiliário básico.
O único banheiro do local não tinha chuveiro funcional e nem torneira na pia. A higiene pessoal era feita com baldes, enquanto a água utilizada para beber, cozinhar e tomar banho era retirada de um córrego próximo, armazenada em uma caixa semiaberta e consumida sem qualquer tipo de filtragem.



