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A morte do soldado Ferrugem

de Antônio Paulino
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Por Luís Estevam

A II Guerra Mundial ocorreu bem longe de nossa terra. O palco sangrento foi na Europa com a tentativa dos alemães de tomar aquele continente. Mas, na época, Catalão tinha unidade do Tiro de Guerra e enviou 17 reservistas para lutar no conflito. Apenas o soldado Ferrugem não retornou. 

Catalão foi a única cidade do estado de Goiás a ter um herói morto na II Guerra Mundial. O jovem soldado estava de tocaia numa trincheira italiana, quando seu colega lhe perguntou as horas. No movimento para olhar o relógio, o catalano foi visto por um atirador alemão. 

Eram 18.30hs do dia 12 de dezembro de 1944, quando o soldado Ferrugem recebeu um certeiro tiro de fuzil e por lá mesmo ficou sepultado. Deixou a noiva e a família esperando o seu regresso. 

Aldemar Fernandes Ferrugem nasceu em Catalão de uma família simples da Rua da Grota. Era filho do pedreiro Teodoro Ferrugem e da dona de casa Nicolina Honório Borges. Nos seus documentos consta “Aldemar” e não “Ademar” como ficou conhecido. 

Aldemar, o soldado Ferrugem, serviu o Tiro de Guerra em Catalão, no início da década de 1940, tornando-se um dos reservistas convocados para se juntar às forças expedicionárias do Brasil na guerra. 

Em suas cartas, o combatente só falava na saudade que sentia e na vontade de voltar logo. Nas últimas semanas de vida, o soldado catalano esteve lutando numa operação que defendia a Torre di Nerone, uma montanha ao norte da Itália, invadida pelos alemães. 

Dividia o frio na trincheira com o soldado Jair Dias Ferreira, um jovem paulista de Mogi das Cruzes. Para sobreviver tinham que buscar água e comida de madrugada, debaixo de um cerrado bombardeio alemão. O seu colega sobreviveu, relatando o triste episódio. 

Naquela missão, os soldados enfrentaram, encolhidos na trincheira, um frio que chegava a 18 graus negativos, sem contar o vento gelado do inverno europeu. Todos sabiam que o menor descuido seria fatal, pois o local estava repleto de atiradores inimigos. 

No dia 12 de dezembro, no front avançado da trincheira,  o soldado Ferrugem e o soldado Ferreira estavam de tocaia. Esperavam e temiam os alemães. Tomavam cuidado para se mover e mal colocavam a cabeça para fora do buraco. 

O soldado Jair Ferreira perguntou as horas. Eram 18.30hs da tarde e já estava escuro. Mas, no movimento para olhar o relógio, o soldado Aldemar Ferrugem fora visto por um fuzileiro alemão e recebeu o tiro fatal. 

Cerca de um mês depois, a família recebeu recebeu um comunicado bem lacônico e padrão. O ofício, assinado pelo general Canrobert Pereira da Costa, dizia: “Lamento sinceramente ter de vos transmitir esta infausta notícia, mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos, saber que o soldado Aldemar Fernandes Ferrugem, em terra estrangeira, soube honrar as tradições do soldado brasileiro, demonstrando no campo de batalha nobres virtudes morais. Entregue inteiramente ao serviço da pátria, cuja honra defendeu com a própria vida, dando assim um sublime exemplo ao Brasil”. 

Somente em janeiro de 1948, quatro anos depois da morte do soldado, um decreto do governo de Goiás concedeu pensão mensal a Teodoro Ferrugem, pai do expedicionário. 

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