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Governo de Goiás financia pesquisas e formação tecnológica para ampliar presença feminina na ciência

de Antônio Paulino
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O Governo de Goiás investe na ampliação da participação feminina na ciência por meio de programas de formação tecnológica, editais de fomento à pesquisa e apoio a projetos coordenados por mulheres. Entre as iniciativas estão duas chamadas públicas lançadas em 2024, com previsão inicial de R$ 2 milhões, além de investimentos em empreendedorismo, capacitação de estudantes e pesquisas científicas voltadas à solução de problemas sociais.

As ações são desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), por meio do programa Goianas na Ciência e Inovação. A iniciativa busca incentivar o ingresso, a permanência e o desenvolvimento profissional de meninas e mulheres em áreas como ciências exatas, engenharia, computação e tecnologia. A política estadual ganha destaque durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada de 26 de outubro a 1º de novembro, que neste ano tem como tema “Ciência Delas”.

Projetos apoiados pelo Governo de Goiás incentivam participação de meninas na robótica e ampliam oportunidades de formação científica e tecnológica

Em Goiás, os investimentos contemplam desde estudantes da educação básica até pesquisadoras que desenvolvem tecnologias em áreas científicas avançadas. Uma das frentes de investimento do Estado conecta a produção científica às políticas públicas de proteção social. Em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), a Fapeg destinou R$ 1 milhão ao apoio de dez pesquisas aplicadas ao enfrentamento da violência contra meninas e mulheres.

Os projetos buscam desenvolver instrumentos capazes de aperfeiçoar a prevenção, o acolhimento e a atuação dos serviços públicos. As propostas envolvem universidades, órgãos governamentais e comunidades, com foco na aplicação dos resultados científicos às necessidades da população. Entre as iniciativas está o projeto Proteção Integrada e Prevenção de Risco Letal, coordenado pela pesquisadora Jéssica Traguetto, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Previsto para 45 municípios goianos, o estudo pretende desenvolver ferramentas gratuitas para identificar situações de maior risco e orientar a atuação integrada das redes de segurança pública, Justiça, assistência social e saúde. A pesquisa prevê a elaboração de uma matriz para identificação e priorização de casos e de um guia para profissionais que atuam na proteção de mulheres, com atenção também a meninas e idosas. “Investir na ciência feita por mulheres é investir em respostas mais próximas da realidade de quem mais precisa delas”, afirma Jéssica.

Formação tecnológica
O estímulo à participação feminina também integra os programas de formação tecnológica do Governo de Goiás. O Start, que oferece cursos de robótica e programação, reserva 50% das vagas a meninas e mulheres. Desde 2024, a iniciativa recebeu R$ 4,42 milhões em investimentos. Na área de empreendedorismo, os editais do programa Eleve, lançados em 2024 e 2026, somam R$ 670 mil em apoio a empreendimentos. As ações integram a estratégia estadual de ampliar o acesso das mulheres à formação e às oportunidades no setor de tecnologia.

A Fapeg também apoia iniciativas desenvolvidas diretamente nas instituições de ensino. Uma delas é o STEAM4Girls: Aprendizagem Criativa para Estímulo de Meninas Cientistas, coordenado por Thamise Sampaio Vasconcelos Vilela, do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia. Com investimento de R$ 100 mil da Fundação, o projeto levou atividades de robótica, programação e aprendizagem criativa a cerca de 120 alunas de seis escolas públicas entre 2024 e 2026. As atividades incluem impressão 3D, sensores, realidade virtual e construção de sistemas de automação. A iniciativa também capacitou pelo menos 30 professores e promoveu mentorias entre estudantes do IFG e alunas da educação básica.

Mulheres em pesquisas
O financiamento estadual alcança ainda projetos desenvolvidos por pesquisadoras em áreas estratégicas da ciência e da tecnologia. Na UFG, as professoras Danielle Cangussu de Castro Gomes e Andreia Luisa da Rosa coordenam o projeto Materiais Moleculares Multifuncionais rumo à Spintrônica e Informação Quântica, contemplado com R$ 54 mil da Fapeg e duas bolsas de iniciação científica.

A equipe investiga materiais com propriedades que podem contribuir para o desenvolvimento futuro de tecnologias nas áreas de nanotecnologia, eletrônica molecular, spintrônica e computação quântica. Outra iniciativa apoiada pela Fapeg é o programa Meninas Cientistas, desenvolvido pelo IFG, campus Uruaçu, com bolsas de iniciação científica júnior e de desenvolvimento tecnológico e inovação. As iniciativas voltadas à participação feminina integram a política de financiamento científico do Governo de Goiás.

Entre 2019 e 2026, a Fapeg destinou R$ 448,1 milhões à sua área finalística, considerando recursos executados e empenhados. Desse montante, R$ 354,8 milhões, equivalentes a 79,2%, concentram-se no período de 2023 a 2026. Além do financiamento de pesquisas, o Estado desenvolve ações relacionadas à permanência de mulheres na carreira acadêmica. Entre os temas abordados estão as dificuldades de conciliação entre maternidade e produção científica, o acesso a bolsas e recursos e a participação feminina em funções de liderança.

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