A menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, a disputa pelo Governo de Goiás entra em sua fase decisiva com um cenário de liderança consolidada, mas ainda sem definição sobre o desfecho da eleição. O governador Daniel Vilela, do MDB, aparece à frente nas principais pesquisas de intenção de voto, enquanto o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, e o senador Wilder Morais, do PL, disputam espaço na oposição em busca de uma vaga em eventual segundo turno.
Seis candidaturas estão registradas na Justiça Eleitoral. Além de Daniel, Marconi e Wilder, também concorrem Luís Cesar Bueno, do PT; Luciana Amorim, da Unidade Popular; e Danilo da Silva, do PCO. Daniel tem como vice o ex-senador Luiz do Carmo, do PSD. Wilder concorre ao lado de Ana Paula Rezende, enquanto Luis Cesar Bueno forma chapa com Carlos Mundim, do PDT.

Com vantagem nas principais pesquisas, governador busca transformar liderança em vitória no primeiro turno, enquanto Marconi Perillo e Wilder Morais disputam a condição de principal nome da oposição
A eleição representa também o primeiro grande teste eleitoral do grupo político construído por Ronaldo Caiado após sua saída do governo estadual. Caiado renunciou ao cargo em 31 de março para disputar a Presidência da República, permitindo que Daniel Vilela, até então vice-governador, assumisse definitivamente o comando do Palácio das Esmeraldas. Agora, o emedebista busca transformar a continuidade administrativa em um mandato conquistado diretamente nas urnas.
Daniel mantém vantagem nas pesquisas
A pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada em 11 de setembro, mostra Daniel Vilela com 45,1% das intenções de voto. Marconi Perillo aparece com 23,2%, seguido por Wilder Morais, com 15%. Luis Cesar Bueno registra 3,4%, Luciana Amorim, 1,6%, e Danilo Pinheiro, 1,5%. Brancos e nulos somam 6%, enquanto 4,2% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O levantamento ouviu 1.248 eleitores entre os dias 8 e 10 de setembro, em 61 municípios. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número GO-03096/2026.
Os números colocam Daniel em posição eleitoralmente confortável, mas não permitem afirmar que a eleição esteja definida no primeiro turno. Para evitar uma segunda rodada, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Como as pesquisas incluem indecisos, brancos e nulos, a conversão dos percentuais atuais em votos válidos dependerá do comportamento do eleitorado até 4 de outubro.
Outros levantamentos também apontam vantagem do governador, embora apresentem diferenças significativas na disputa pelo segundo lugar. A AtlasIntel, em pesquisa divulgada em 3 de setembro, registrou Daniel com 43,5%, Wilder com 20,1% e Marconi com 16,1%. Já a Real Time Big Data, no final de agosto, apontou Daniel com 45%, Marconi com 22% e Wilder com 17%. A Quaest havia registrado Daniel com 37%, Marconi com 20% e Wilder com 12%.
A comparação entre os institutos evidencia um dos principais aspectos da reta final: a liderança de Daniel aparece de forma relativamente consistente, enquanto a definição de quem será o principal nome da oposição permanece mais aberta.
Estrutura governista é um dos trunfos de Daniel
Além da vantagem nas pesquisas, Daniel conta com uma ampla estrutura política e partidária. A coligação governista reúne 12 partidos e chegou à convenção com o apoio anunciado de mais de 220 dos 246 prefeitos de Goiás.
Essa capilaridade oferece à campanha presença territorial em praticamente todo o Estado, com apoio de lideranças municipais, vereadores, deputados e demais integrantes da estrutura política regional.
A estratégia de Daniel procura associar sua candidatura à continuidade do ciclo administrativo iniciado por Caiado. Segurança pública, equilíbrio fiscal, investimentos em infraestrutura, programas sociais e expansão regional dos serviços estaduais integram a narrativa apresentada pelo grupo governista.
O desafio político do governador é, ao mesmo tempo, demonstrar que sua candidatura representa continuidade administrativa e construir uma identidade própria, deixando de ser percebido apenas como o sucessor escolhido por Caiado.
A vantagem também aparece nas simulações de segundo turno. Na pesquisa Quaest de agosto, Daniel registrou 53% contra 28% de Marconi e 56% contra 18% de Wilder. Na Real Time Big Data, marcou 57% contra 28% de Marconi e 56% diante de 30% de Wilder.
Os números representam fotografias dos momentos em que os levantamentos foram realizados e não constituem previsão de resultado. Ainda assim, indicam a distância que os adversários precisam reduzir para tornar a disputa mais competitiva.
Marconi busca recuperar espaço
Marconi Perillo aparece como o adversário de maior peso histórico. Ex-governador por quatro mandatos, o tucano possui uma trajetória política construída ao longo de décadas e elevado nível de conhecimento entre o eleitorado goiano.
Sua campanha procura recuperar a memória de suas administrações e apresentar experiência e legado como contraponto ao projeto de continuidade defendido por Daniel e pelo grupo de Caiado.