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No ritmo da tradição

de Antônio Paulino
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Por Luís Estevam

Era uma vez, uma terra muito bonita, habitada pelos indígenas, quando o homem branco chegou. 

Chegou obstinado, feito tatu que cavuca o chão, na procura de ouro e pedras preciosas. 

Não reparou nas flores, nem nos matagais, não sentiu o ar puro e pouco se encantou com os rios de água limpa e  transparente. Cegado pelo dinheiro, enxergava somente o brilho do metal amarelo e da recompensa prometida.

Nessa obstinação pela riqueza, eliminou quase todos os indígenas e foi trazendo mais e mais escravos para cá. 

Até que o ouro acabou… ponto final.

Esta é a história da formação de Goiás. Aconteceu no interior do território, na época em que os indígenas foram desalojados. 

Mas, não aconteceu em Catalão, onde tudo foi diferente. 

Aqui, o homem branco também chegou cavucando o chão. Não em busca de ouro, mas no plantio de alimentos e no cultivo de sementes da liberdade. 

Desde cedo, o colono pioneiro, vindo das Minas Gerais, esteve afeiçoado à terra, enxergou a bela paisagem e aqui se instalou.  Não chegou como aventureiro, mas como trabalhador e pai de família. 

Essa foi a vida dos pioneiros nas famílias Lourenço, Silveira, Mariano, Estrela, Ferreira, Rosa, Leão, Rezende, Pires, Albino, Lalau, Fonseca, Paiva, Silvestre e tantas outras. 

Depois que se formou o Arraial do Catalão, aqui se instalaram também os Paranhos, Ayres, Campos, Costa, Netto, Andrade, Cunha, Carneiro e Salviano.

Interessante que, desde o começo, Catalão foi uma terra religiosa. Os aventureiros de antigamente  levantaram uma Cruz, mas os colonos pioneiros trouxeram a devoção em N.S. da Abadia e N.S. Mãe de Deus. 

Porém, o povo se encantou mesmo foi com N.S. do Rosário e São Benedito. A devoção cresceu tanto, de geração em geração, que a Virgem do Rosário acabou se tornando a padroeira do lugar.

Bem mais tarde, quando Catalão já tinha quase dois séculos de existência, aqui chegaram os imigrantes estrangeiros. 

Um povo vindo de longe, que encontrou em Catalão o lugar ideal para morar e criar família. Ficaram por aqui os Fayad, Sebba, Abrão,   Hummel, Democh, Pascoal, Margon, Elias, Safatle, Pedro, Cortopassi, Tozzi, Nicoletti, Primo, Salomão e tantas e tantas outras famílias de estrangeiros. 

Assim, os pioneiros e os imigrantes se ocuparam em cuidar de suas famílias e do lugar. Foram os artífices de Catalão. 

Abraçaram a tradição religiosa da comunidade, acompanhando o forte eco dos tambores na Festa do Rosário. 

Catalão passou a seguir a marcação dos capitães de terno, como João Coelho, Leocridio, Gabriel, José Hilário, João do Nego, Antônio Adão, Geraldo Prego, João Marçal, Zé do Gordo, Eutálio, Edson Arruda, Pedro Alcino, Chico Dias, Seu Gustavo e Emerenciana, Geraldo Dias, Antônio Serafim, João Batista de Souza, Eurípides Antônio Rita, Didi, Sapo, Toinzinho, Reginaldo Reis, Pavão, Alvim, Marcos Antônio de Jesus, Roberto Ribeiro, Careca, Antônio Biano, José Mário Ribeiro, Domingos Batista e tantos outros que fica difícil de lembrar.

Hoje estamos todos, pioneiros e imigrantes, sob o manto protetor da Senhora do Rosário, padroeira oficial de Catalão. 

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